| O QUE É FILOSOFIA? | ||
| AULA N 1. O QUE É “FILOSOFIA”? Por Ivone Bengochea e Ethon Fonseca FILO -Aspiração- amor- amizade – respeito. SOFIA – sabedoria, dessas independentes de diplomas e maiores acúmulos de conhecimento. A origem da palavra é uma pista inicial, que em muitos casos como o nosso propiciam um jogo de relações significativas, pelo mero levantamento “etimológico” (desta origem da palavra) da expressão. “A minha casa fica lá de trás do mundo, onde eu vou em um segundo quando começo a pensar. O pensamento parece uma coisa à toa, mas como é que a gente voa quando começa a pensar?” Lupicínio Rodrigues As palavras ganham vida com os seus usos, que mudam ao longo dos tempos, apontando para múltiplos significados que alguns filósofos até fizeram questão de tentar definir e apresentar, ajudando-nos a lidar com a diversidade e expandindo também essa mesma diversidade de idéias. Talvez, lá pelo século VI a C., na Grécia Antiga, o mundo parecesse parado, sem graça, até que um grupo de xeretões iniciassem a batalha para saber a origem das coisas que todos viam e achavam que era normal, quase banal, como o dia, à noite, a chuva, o sol, os cabelos brancos, a cor dos olhos, as mulheres, os homens e tudo mais que já existia com muita expressão. Até que os xeretões gregos entrassem em cena. Os xeretões eram os primeiros filósofos, os benditos pré-socráticos. Benditos, porque sem eles não haveria ciência, nem o famoso progresso. E o que fariam, hoje, os pobres dos cientistas? E, se não houvesse progresso? Como seria o nosso mundinho? Pré é o que vem antes, eles pesquisaram coisas que o Sócrates, um grande filosofo que vivia em Atenas, não precisou pesquisar. Por exemplo, pesquisar o cosmo. As pessoas apenas descreviam o cosmo, portanto, faziam uma cosmogonia e os primeiros filósofos foram além e elaboram uma cosmologia, ou seja, uma explicação do que já seria normal, mais detalhada e bem própria de quem é xereta. A sabedoria de quem não fica na mesmice das opiniões compulsivas e repetitivas? Também é prática, e fruto desta mesma prática, e não uma propriedade privada de um “dono” de verdades, “científicas” ou não. Prática que pode conduzir aos mais diversos resultados, mesmo quando nossa cultura impõe o domínio da palavra como primeira condição para se discutir o pensamento. Nessa linha de xeretas querendo definir inclusive, ou para começo de conversa, o sentido das palavras usadas pelos poderosos, o Sócrates é camisa 10; foi tão fundo que acabou condenado (já em idade avançada) à morte. Depois, muitos outros se enfiaram em brigas de cachorro grande, nem sempre para a alegria de torcidas organizadas em torno de uma visão de mundo. Disse (por escrito, e em versos, na verdade) o poeta Fernando Pessoa que “navegar é preciso, viver não é preciso”, e que “pensar é estar doente dos olhos”. O que é pensamento ou ainda não, o que é tomar conhecimento das reflexões tecidas sobre a humanidade, ou condição para se saber do que se está falando, são algumas das questões que ocupam nossos instantes de filosofar. Instantes como este, e de encontros, em que nos atualizamos com os percursos de idéias mais ou menos vivas e vívidas, como a de “refletir” que é o retorno sobre o que se pensou (e todos nós pensamos, mas nem todos refletimos, ao menos não o tempo todo...). Encontramos no caminho indicações e apontamentos para abordagens interessantes aos nossos próprios objetivos, mais do que mapas prontos. Não faltariam ocasiões para aplicar juízos conformes, bem balanceados, ligados ao entendimento bem conversado, bem sentido, críticos, enfim. Será tão difícil entender o que leva as pessoas a se posicionarem de formas tão controversas ou mesmo insensatas? Será mais difícil do que formular e endereçar questionamentos sem acumular problemas, mas encaminhando sugestões? Embora a nossa conversa valorize mais as perguntas, a filosofia também é resposta às próprias inquietações. Pense em circunstâncias mais ou menos espantosas, e em como problematizá-las, inserindo (em) um questionamento. Quem dirá que isso não é filosofia, e que não é assim que se faz? Até o próximo Almanaque |
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