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AS MULHERES NO CALOR DA LUTA
Dilecta Todeschini
Escrever sobre a mulher é refletir sobre sua trajetória em todos os tempos. Historicamente, o papel feminino foi ofuscado, escondido, ocultado pela ideologia masculina. A própria bíblia, para reforçar a superioridade do homem fala que a Eva foi tirada da costela do Adão, No decorrer dos tempos criaram-se teorias tentando provar que a mulher é inferior e diferente do homem, na inteligência, na afeição, na capacidade de aprender, de administrar, na força, etc..etc..Entretanto, a mulher começou a reagir contra essa situação lutando pelo seu espaço e mostrando sua capacidade, evidenciando de que em nada são inferiores aos homens.
Os espaços da luta por melhores condições de vida nos grandes centros urbanos, estão repletos da presença de mulheres. São elas que vivenciam cotidianamente, compartilhando com pessoas mais próximas os problemas domésticos, da rua onde moram tais como: a falta de saneamento, de creches, de postos de saúde, de escolas.
Por muito tempo a mulher ficou condenada a permanecer no lar, dona de casa, que de dona só tinha o trabalho de suportar o marido que a submetia a todo o tipo de humilhação – e por vezes agressão (e ela permanecia calada). Sofria. Não tinha essa história como hoje ,“a separação”. Para as famílias de bem, isso era um escândalo.
A sociedade foi se modificando, as mulheres criaram seus espaços nos campos de trabalho, no estudo, nas ciências, nas artes, nas administrações. Ficou provado que a mulher não é nada inferior ao homem. Ocupa cargos administrativos, políticos, etc. Temos mulheres governadoras, deputadas, vereadoras, juízas. A mulher também criou coragem para se engajar nas lutas. Foi para a rua reivindicar melhores condições de vida.
Iniciou suas lutas nas organizações políticas, nas igrejas, nas comunidades, e continua lutando para ampliar seus espaços em todas as esferas. Iniciando o trabalho na vila: quando optei para iniciar o trabalho, dei-me conta que havia muitos problemas, e de difícil solução. Refletindo, concluí que inicialmente deveria conversar com o povo. Reunimos várias mulheres para conversar. Um pouco tímidas, não tinham o hábito de se reunir, falavam pouco! Qual o assunto da conversa: assuntos familiares e umas “fofoquinhas”. Daí provocamos: e na vila, quais os problemas?
1º problema: a vila não tinha nome (era uma população desconhecida, vivendo uma situação de pobreza quase extrema). Como as mulheres são bastante sensíveis aos problemas que enfrentam, uma mulher teve coragem e começou a enumerar as dificuldades encontradas: “Não temos água (potável) para beber”. Daí discutiiu-se toda a questão decorrente da falta de água potável. Logo começaram a fazer comparações: os ricos tem água boa, até para lavar carros, e nós, que somos pobres, não temos água boa para tomar ou fazer a comida. Prosseguimos na análise da importância da água. Como consegui-la, o que fazer? Quem tem a água? Concluímos que devíamos nos organizar, uma pessoa sozinha nada conseguiria. Formamos uma comissão e fomos para os órgãos competentes, recusaram-se a atender a nossa reivindicação, mas, mulheres corajosas, destemidas, começaram a acreditar que, unidas e organizadas, iriam conseguir o que estavam pleiteando. Após prolongadas análises e reflexões, continuamos a caminhada. Foram muitas as viagens, as esperas no gabinete do diretor e as mulheres concluíram: “Eles não nos respeitam”, mas vamos continuar a luta. Começaram a acreditar que, lutando, haveriam de conseguir o que desejavam.
Finalmente, não sei se admiraram a nossa perseverança ou se já estavam cansados de ver nossa comissão no gabinete. Conseguimos, com muita luta, uma torneira pública, o que, em princípio, agradou a população, e as mulheres sempre lembravam a grande luta para conseguir, nem que seja em parte, a água potável. Pois pagávamos caro um balde de água boa por dia. Nessa luta, as mulheres foram se conscientizando do poder e da capacidade que tinham de lutar. Começaram a se impor, o respeito, participaram de grandes lutas e passeatas. Compreenderam o porquê da exclusão na participação dos bens produzidos na sociedade. Conseguimos outras melhorias e maior participação de todos.
Nessa luta, encontramos mulheres corajosas que não se submetem aos caprichos dos homens. Lutam pelos seus espaços e não se consideram nada inferior. Querem ter seu emprego, decidem sobre suas vidas. Enfrentam problemas e continuam a caminhada.
Caminhada essa que passa pelos protestos pela Anistia, a luta pela democratização do país, as campanhas contra a carestia (inflação) em prol de melhores condições econômicas. Hoje muitas mulheres ocupam espaços nas associações de classe, nas associações dos bairros e no Orçamento Participativo.
O que motivou a entrar na luta do Orçamento Participativo e/ou comunitária foi buscar engajamento na comunidade para as melhorias
LER LER É MUITO PERIGOSO!!!! |
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